Por que eu gosto tanto de comer pimenta? Porque o ataque da pimenta à boca causa uma liberação de adrenalina que resulta em uma descarga de endorfina que me deixa quimicamente feliz? Também, claro - quem não gosta de ficar quimicamente feliz? Mas eu gosto mesmo de comer pimenta por ser uma coisa que a maioria das pessoas não gosta nadinha - e isso me alimenta de certo modo - Freud explicaria.
Por que eu sou tão do contra? Não sei, mas sei que dá um pingo de prazer em contrariar a convenção popular sempre que possível. Se as pessoas gostam de ver futebol, inove, assista poker (ou basicamente qualquer outra coisa); se as pessoas ouvem hip hop e funk, resista com o seu rock n roll atemporal; se as pessoas comem um caramelo para passar o tempo, procure a pimenta mais brilhante do pote... E com o tempo você percebe que, cada uma dentro de suas próprias categorias, as pessoas são exatamente como você: há gente que odeia futebol, há quem viva o rock de décadas atrás e há quem goste de pimentas, reais ou metafóricas.
Claro que é muito difícil encontrar uma pessoa com todas as suas particularidades, mas com o tempo você encontra uma ou outra com a qual você se identifica bastante, seja por ações nada convencionais, seja simplesmente por uma linha de pensamento elaboradíssima (ou simplíssima, também acontece) que não é o praxe da sociedade, e que agrada demais o seu próprio pensamento.
Enfim, a pimenta não é importante - não sei por que comecei falando disso. Eu gosto de pimenta por realçar o sabor do que estiver no prato e por me deixar quimicamente feliz - o do-contrismo foi só uma consequência. Mas acho importante que as pessoas tenham discernimento para gostar do que elas gostam, em oposição ao que elas deveriam gostar como seres sociais, e que tenham a pulga atrás da orelha para questionar alguém que lhes diga que aquilo não é normal por um ou outro motivo, ou que tente lhes dizer como se sentir.
E se não é normal pensar assim, que pena.
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