sábado, 9 de abril de 2011

Um pretérito mais-que-imperfeito

Não aguentava mais. À beira da loucura, só conseguia pensar em tudo o que tinha para dizer, e como não conseguia nem começar. Vivera nas margens da coerência por bastante tempo, se preocupando demais com o Então para lembrar de pensar no Logo Mais - sabia que não estava em um curso saudável, e que sentiria o efeito deste em pouco tempo, ali no Logo Mais.
Reclamara muitas vezes antes sobre como queria ter feito as coisas diferente, e a cada vez que reconhecia esta vontade, se convencia que dali para a frente seria diferente. Em vão, vale dizer, pois cada vez que a história se repetia, se repetia todo o ritual, nunca saindo do lugar.

Sabia que evoluia - artigos a publicar, congressos a expor, trabalhos a revisar - mas se sentia mais estagnado do que nunca. Insatisfeito. Estava, finalmente, livre de qualquer paixão que lhe prendesse, mas mesmo assim queria amor. Todo o sucesso acadêmico do mundo não lhe seria suficiente sem ter alguém para falar das suas músicas, para comer churros, para criticar sucos de melão, para sentar na varanda... enfim, para se viver com.
Seu Eduardo precisava de uma Mônica, nem que fosse para ter uma criança de dois anos já de recuperação.

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