Estava pensando que mantendo a porta fechada estaria ajudando o mundo, por deixar o frio lá fora, melhorando a vida de todos. Na verdade, do frio quem gosta sou eu, então tentando fazer o bem a todos, ficando eu no calor, de fato eu estava fazendo exatamente o oposto.
Fez sentido? Realmente não é para fazer. É uma simples tentativa de colocar no mundo o meu pensamento nu e cru.
Enquanto eu estava pensando nisso, lembrei do garoto que tentou me ofender. E ofendeu. Não ofendeu pela ofensa que tentou proferir - mas ofendeu por achar que eu me ofenderia com coisa tão baixa. E, pensando no garoto que tentou me ofender, lembrei do garoto que tentou roubar meu amor de mim - e talvez tenha conseguido, não sei. Todavia, não sei se esse amor algum dia foi meu, ou se algum dia seria, então realmente não sei se o garoto roubara meu amor ou não, só sei que eu achei isso.
E pensando no garoto que roubou ou não o meu amor, por mais que não tenha sido por mal (ou por mais que tenha sido, também não sei), fiquei com raiva. Fiquei com raiva por alguém querer roubar meu amor de mim. Mas não odeio nenhuma das partes presentes, seja eu mesmo, seja o meu amor, seja o garoto - só fiquei com raiva do garoto, por saber que eu amava meu amor e mesmo assim se adentrar na história. Não é culpa dele, claro: se alguém é meu amor, eu devo ter tido motivos para sentir isso. E talvez o garoto tenha tido os mesmos motivos, não sei. Mas fiquei com raiva mesmo assim.
E, com a raiva do garoto, me veio a tristeza por não ter o amor que eu queria - tristeza essa que, na verdade, nunca deixou de existir: eu estava somente não pensando nela até agora. De qualquer modo, me encontrando em uma mistura de raiva, tristeza e saudades de um amor que eu nunca tive, fiquei lembrando dela. E lembrei por que ela virou meu amor, mesmo esse porquê não fazendo muito sentido. Mas não interessava agora o porquê, porque eu já estava triste, e com raiva, e com saudades - e o motivo inicial, por mais belo que pudesse ser, não me confortaria.
Eu quis poder me desencantar, para não ficar triste por um amor que eu não tenho, mas isso se mostrou bastante impossível. Eu quis então ter o meu amor para mim - o que na verdade eu sempre quis - mas isso era ainda mais impossível. Eu quis, por fim, estar perto dela, para ao menos me sentir bem com isso - mas, mais uma vez, não foi possível - há uma distância líquida entre nós, que infelizmente não consigo quebrar sem uma justificativa social plausível. E como justificativas sociais nunca foram o meu forte, especialmente as plausíveis, me vejo fadado a sentar e esperar até que uma solução viável caia sobre mim.
Eu quis poder me desencantar, para não ficar triste por um amor que eu não tenho, mas isso se mostrou bastante impossível. Eu quis então ter o meu amor para mim - o que na verdade eu sempre quis - mas isso era ainda mais impossível. Eu quis, por fim, estar perto dela, para ao menos me sentir bem com isso - mas, mais uma vez, não foi possível - há uma distância líquida entre nós, que infelizmente não consigo quebrar sem uma justificativa social plausível. E como justificativas sociais nunca foram o meu forte, especialmente as plausíveis, me vejo fadado a sentar e esperar até que uma solução viável caia sobre mim.
Enquanto isso, fico com os pensamentos sobre o garoto que tentou me ofender, sobre o garoto que roubou ou não o meu amor, sobre o meu amor, e sobre como eu não sei falar sobre isso.
Então, essa narrativa foi uma tentativa de mostrar como eu penso, e como as coisas passam em altos e baixos pela minha cabeça em uma frequência altíssima, alternando o tempo verbal e os sentimentos conforme o pensamento muda.
Never mind.
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