sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Carpe diem

Tem dias ótimos para tudo dar errado. Hoje foi um deles. Hoje, como qualquer dia, houve o que desse certo e o que desse errado. Mas as coisas que deram errado, deram bem errado. E mesmo dentro das que deram certo, houve o que desse errado.
Claro que hoje é uma sexta-feira 13, combinação estatística que atinge tanto um sétimo dos dias 13 quanto um trigésimo das sextas-feiras.

Então. Não basta quase chegar atrasado na aula? Não, eu tenho que chegar tenso para a aula só começar quinze minutos depois do horário. Não basta a aula começar quinze minutos depois do horário? Não, ela tem que prosseguir bem lentamente, desafiando a linha do tempo a continuar apontando pra frente. Não basta o tempo passar ridiculamente devagar? Não, a aula tem que acabar quase 12h, contrariando todas as outras aulas de eletricidade, que sempre acabam no máximo às 11h30.
Com certeza procurar a Nathália foi uma boa medida do meu dia, já que a atmosfera daquele lugar estava tão nociva que podia matar um a qualquer momento.
Encontrei a Nathália. Ótimo, não? Os problemas do dia finalmente acabaram. Exceto por essa última casa decimal da balança, que não fica quieta. Quem sabe se a gente colocar a amostra na balança, fechar, se afastar e fazer uma pose estranha, o equipamento não funciona? (Olha, funcionou!)
Ok, ótimo, descobrimos como fazer a balança estabilizar. Só falta lembrar de tarar a balança a cada medida. (...) Seria melhor lembrar de tarar a balança antes de cada medida ANTES de colocar a amostra na balança, mas isso parece impossível demais para nós. Enfim, uma hora as amostras acabam.

- Nathália, a ponta desse fio deveria estar do lado de fora do dessecador, separada do fio? Parece que alguém a cortou sem querer.

Hora do almoço! Finalmente, uma hora onde coisas boas acontecem, como encher a barriga. Vamos até o Super Sucos, ver se hoje eles vão contrariar o espaço-tempo e fazer um salgado gostoso.
Ok, má escolha. Vamos até o Italian Tutti, onde eu vou comer um macarrão e... meu celular está tocando.
- Oi Juliana, vem até o Italian Tutti, estou aqui com a Nathália.
Encontrar a Juliana, esse vai ser um ponto bom do dia. Ah, a Juliana tem que ir no aeroporto pegar o passaporte dela. Whattahell, vou levá-la lá.
O aeroporto tem vagas na sombra. Não deve ser muito difícil de arranjar uma em um dia de semana corriqueiro. É só procurar um pouquinho. É só procurar um pouquinho mais. Um pouquinho mais... A primeira vaga no sol que eu achar, eu paro! Estacionamento lotado, argh!

Ok, precisamos ir para o terceiro andar. Estamos no... no... O aeroporto considera que nós não precisamos saber em que andar estamos. Vamos subir até o último que eu acho que é ele.  (É impressão minha ou o ar condicionado daqui está ajustado para cozinhar?)
Pegar uma senha: 230. Está na 203. Não deve demorar tanto. Vamos até a praça de alimentação rapidinho. Praça - banheiro - PF - praça - informação - praça - quiosque do bob's fechado - praça - Strudel! Pronto, Juliana comprou uma coisa pra comer. Só precisamos voltar para a PF e esperar a nossa vez.
Senha 218. A gente rodou o aeroporto todo, algumas vezes, e só andou metade da fila? Ok, pelo menos estamos sentados e está tudo calmo.
- MAAAÃE!
Pelo menos estamos sentados, e está tudo calmo, com excessão dessa criança gritando atrás da gente. Senha 219.
Jogar jogos de celular há de fazer o tempo passar! (...) Droga, já jogamos todos os jogos do celular da Juliana e só passaram 3 senhas. (...) Droga, já zeramos todos os níveis de sudoku do meu celular e ainda falta mais da metade do que faltava da última vez.
Olha só, um jogo legal no meu celular! E dá pra dois jogadores! Juliana começa a jogar contra mim. Vez do jogador 1. Vez do jogador 2. 1. 2. 2. 2. 1. Peraê! Esse jogo tá mais atático que polímero sem catalisador. Mas enfim, o jogo é legalzinho, vamos continuar que agora tá ficando interessante e... senha 230.
Depois de horas de espera, Juliana entra no cubículo e não leva nem um minuto e meio: coloca o dedo no leitor de digital, assina, pega seu passaporte (com foto de diva dos passaportes) e vamos embora.
Resultado: pagamos 6 reais de estacionamento para uma coisa que não durava nem um minuto e meio.
Deixo a Juliana em casa, chego em casa e a Nathália me diz que a experiência só deu errado o tempo todo. Puxa vida, deu errado? Hoje? Que coisa...


Noite chega. Agora o dia tem que engrenar, certo?
João me liga: "Vamos combinar alguma coisa com Juliana e Nathália hoje. Fala com elas."

- Nathália, vamos sair, João chamou!
- Eu quero muito, mas é meio complicado sair da Ilha agora, e depois voltar.
- Entendo. Tem razão.

- Juliana, vamos sair! Juliana? Droga, não consigo ligar pro celular dela.
Torpedo para a Juliana. Tempos depois, resposta: "Poxa, já combinei com outras pessoas."

"João, aborta a missão que eu estou me sentindo como a Ana Helena quando não pôde mais fazer seu solo."


Opa, mãe pediu pizza. Eu adoro pizza da Domino's e... não é pizza da Domino's. É pizza molenga, molhada de condensação atmosférica.

Sexta-feira 13. Uma a cada 30 sextas-feiras. Um a cada 7 dias 13. Um a cada poucos dias da minha vida.
Claro que eu exagero, mas por trás de cada exagero há um fundo de verdade.

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